27 artigos sobre conduzir projeto de tecnologia, do método à
entrega em produção.
Gerenciar projeto de tecnologia é decidir, com informação incompleta, o que construir,
em que ordem e com que risco. A parte difícil raramente é o cronograma: é que o
escopo muda enquanto o time aprende, e o plano feito no início envelhece mais rápido
que a execução.
O acervo aqui cobre a cadeia inteira, e ela tem uma ordem: descobrir o
que vale construir, construir com cadência e prática de engenharia,
entregar em produção com frequência, e operar como
serviço com nível acordado. As duas primeiras etapas vêm do mundo ágil, a última vem do
mundo de processo, e elas se encontram: o ITIL 4 incorporou ágil e DevOps de propósito.
Por isso está dividido em leituras, e não em escolas. Comece pela que corresponde ao
seu contexto.
Seis documentos atravessam um projeto de tecnologia: declaração de escopo, declaração funcional, documentação técnica, caderno de testes, manual do usuário e documento operacional. Nem todo projeto precisa dos seis, e alguns podem ser absorvidos por outro. O que não pode é a informação se perder no caminho.
São três etapas da mesma negociação, em sequência. A RFI conhece o mercado antes de especificar. A RFP especifica o escopo e pede proposta de solução. A RFQ cota preço quando o escopo já está fechado. Do outro lado da mesa, o fornecedor responde com proposta técnica e comercial.
A escolha tem duas perguntas, não uma. Primeiro qual responsabilidade combina com você, entre Scrum Master, Product Owner e Developers. Depois qual emissor, sendo que Scrum.org cobra uma vez e a credencial não vence, enquanto Scrum Alliance exige curso e renovação a cada dois anos.
Dual Track é a prática de rodar descoberta e entrega em paralelo, no mesmo time e de forma contínua. A descoberta responde se vale construir; a entrega constrói o que já foi validado. Não são duas fases, nem dois times.
O SAFe 6.0, de 2023, organizou as mudanças em seis temas e trocou nomenclatura central: Program Increment virou Planning Interval, Program Backlog virou ART Backlog e a House of Lean foi aposentada. Este é o mapa completo do que mudou em relação ao SAFe 5.
Quem tem certificação SAFe 5 com credencial em dia atualiza de graça, por um curso online de dez módulos e cerca de duas horas no SAFe Studio. Versão 4 ou anterior exige curso e exame pagos.
Lean Portfolio Management conecta estratégia e execução financiando fluxos de valor em vez de projetos. Cobre visão de portfólio, fluxo de épicos em Kanban, orçamento com limites acordados, governança e medição de desempenho.
O Continuous Delivery Pipeline é o fluxo que leva uma ideia até o cliente em quatro etapas: exploração, integração, implantação e liberação sob demanda. Implantar e liberar são separados de propósito, e é isso que permite escolher o momento do lançamento.
Cadência é o ritmo comum que permite a dezenas de times combinar algo entre si. No SAFe ela se materializa em três camadas de evento: os do time dentro da iteração, os do ART ao longo do intervalo, e o Inspect and Adapt que fecha o ciclo.
PI Planning é o evento de dois dias que abre cada Planning Interval e sincroniza todos os times de um Agile Release Train. Entra o backlog do ART, sai um plano acordado com objetivos, riscos mapeados e o compromisso do trem.
Entrega de produto ágil é a competência do SAFe que liga o foco no cliente à execução. Cobre três frentes: centralização no cliente com Design Thinking, priorização do backlog do ART por WSJF, e o pipeline de entrega contínua.
SLA, ou acordo de nível de serviço, é o documento que transforma expectativa sobre um serviço em compromisso verificável. Define escopo, prazo por severidade, indicador de desempenho, responsabilidade das duas partes e o que acontece quando o nível não é cumprido.
ITSM é a disciplina de entregar TI como serviço, com processo, papel e métrica definidos. ITIL é o framework que descreve como fazer isso, hoje na versão 4. A relação entre eles é a mesma que existe entre ágil e Scrum.
Time e agilidade técnica é a competência do SAFe que cobre três dimensões: times ágeis pequenos e multifuncionais, qualidade embutida em cada iteração, e a organização desses times em Agile Release Trains.
Os dez princípios lean-agile do SAFe são o porquê do framework. Quem os entende consegue cortar o cerimonial que não serve ao próprio contexto; quem não os entende implanta tudo e descobre depois que o cerimonial nunca foi o mecanismo.
XP é um método de desenvolvimento de software criado em 1996, focado em como o código é escrito. Ele é anterior ao Manifesto Ágil, e suas práticas viraram padrão de mercado mesmo em times que nunca disseram adotar XP.
Liderança lean-agile é a base das sete competências do SAFe, e cobre três dimensões: liderar pelo exemplo, conduzir a mudança e adotar a mentalidade lean-agile. É a única competência que quem lidera não consegue delegar.
As sete competências do SAFe descrevem o que uma organização precisa desenvolver para alcançar agilidade de negócio. Elas agregam valor separadamente, mas são mutuamente dependentes, e liderança lean-agile é a base porque as outras seis exigem mudar como se decide.
SAFe é um framework para aplicar práticas ágeis em organizações com muitos times, proposto como um segundo sistema operacional organizado por fluxo de valor. A certificação de entrada é a Leading SAFe, com exame de 45 questões e 77% de acerto para aprovação.
Scrum é um framework para construir produtos em ciclos curtos, em que um time pequeno entrega algo pronto a cada uma a quatro semanas. Ele não diz como fazer o trabalho, define quem responde pelo quê e quais conversas precisam acontecer.
Lean Inception é um workshop de uma semana que reúne negócio, produto e tecnologia para decidir, juntos, qual é o primeiro MVP. Termina com escopo acordado e um MVP Canvas preenchido, não com um documento de requisitos.
Lean Startup é um método para validar se vale construir algo antes de construir tudo. Entrega uma versão mínima utilizável, mede o que acontece no uso real e decide com base nisso se muda de direção ou continua.
Design Sprint é um processo de cinco dias que troca meses de discussão por um protótipo testado com clientes reais. Não entrega produto: entrega uma decisão fundamentada sobre seguir, mudar ou descartar a ideia.
Design Thinking é uma abordagem para resolver problema partindo de quem tem o problema, e não da solução que já se imagina. São cinco etapas, mas elas não são lineares: cada teste pode devolver o time para qualquer etapa anterior.
Kanban é um método para gerenciar fluxo de trabalho, baseado em tornar o trabalho visível e limitar quanto pode estar em andamento ao mesmo tempo. Sem o limite, um quadro com colunas é apenas uma lista de tarefas organizada.
Lean é uma filosofia de gestão nascida na Toyota que busca entregar valor ao cliente eliminando desperdício, de forma contínua. Quase tudo que hoje se chama de ágil, do quadro Kanban ao MVP, vem de conceitos formulados ali.
DevOps é uma forma de organizar o trabalho para que software chegue a produção com frequência e segurança, aproximando quem constrói de quem opera. Não é cargo, não é ferramenta e não é um time novo entre os dois.
· 10 min · Ágil
Perguntas
Dúvidas frequentes
O que é gerenciamento de projetos de tecnologia?
É a disciplina de conduzir a construção de software equilibrando escopo, prazo, custo e risco. A diferença em tecnologia é que o escopo muda enquanto se aprende, e por isso os métodos mais usados hoje trabalham em ciclos curtos em vez de plano único.
Qual a diferença entre gerenciamento tradicional e ágil?
O modelo tradicional define escopo, prazo e custo no início e controla desvio. O ágil aceita que o escopo vai mudar e encurta o intervalo entre decidir e ver o resultado. Nenhum dos dois é sempre melhor: depende de quanta incerteza existe sobre o que construir.
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